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Toda Problemática requer uma “Solucionática”: porque é preciso se fazer entender
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Toda Problemática requer uma “Solucionática”: porque é preciso se fazer entender

Ela não me “autorizou”, mas preciso falar que nem sempre vale tudo quando o assunto é linguagem. Desde o dia 25 de janeiro, milhares de pessoas têm compromisso garantido em frente às suas tevês, pois nessa data estreou a 21ª edição do programa Big Brother Brasil. Não me cabe aqui fazer juízos de valor sobre o programa, mas quando a internet me “presenteou” com algumas frases de uma das participantes, confesso que fiquei curiosa e decidi “dar uma espiadinha”.

Pois a tal da participante até já saiu do programa, mas meu objetivo com esse texto é repensar algumas falas dela sob o viés da sociolinguística, ramo da linguística que estuda as relações entre a língua e a sociedade. Porque, antes de mais nada, é importante destacar que não existe uma unidade linguística no Brasil e a nossa língua pode variar de acordo com o assunto, com o interlocutor a quem queremos comunicar a mensagem, com o ambiente e com a intencionalidade comunicativa. Todos esses fatores constroem o que chamamos de adequação linguística. Em resumo, nossa forma de falar deve ser adequada às situações em que falamos.

Durante muito tempo se buscou uniformizar a língua, contudo a ciência linguística moderna já comprovou que não existe nenhuma língua no mundo que seja homogênea, pois todas elas são capazes de variar de acordo com o tempo, espaço, grupos comunicativos, etc. Há algum tempo, as pessoas acreditavam na homogeneização da língua e pensavam que tudo o que fugia da chamada gramática normativa – aquela que aprendemos na escola – configurava erro. Essa corrente de pensamento objetivava transformar a fala em uma transcrição ipsis litteris da escrita. Felizmente as coisas evoluíram e o foco mudou do conceito de certo x errado para adequado x inadequado. Se as pessoas não são iguais, por que a linguagem haveria de ser?

O objetivo de toda comunicação é a busca pelo sentido e, para que a comunicação seja bem sucedida, deve haver uma parceria entre os interlocutores (a pessoa que fala e a pessoa que ouve o que está sendo dito), ambos devem se compreender mutuamente. Quando utilizamos palavras com dupla interpretação, ou escolhemos aquelas que não temos certeza se fazem parte do repertório linguístico da pessoa para quem estamos falando, automaticamente criamos uma barreira comunicativa. Nossa personagem do BBB esbarrou no primeiro quesito para adequação ao utilizar frases como: “influenciadoras de jornadas artísticas, potencializadoras e de não silenciamento”. A frase em questão não só apresenta problemas de construção sintática, mas de construção de sentido. Alguém aí entendeu?

Há outras situações que influenciam bastante na hora de escolhermos como utilizar a linguagem. Por exemplo, o ambiente em que estamos. Não é adequado usar mesóclises (aquelas construções antigas com o pronome repartindo o verbo no meio, tais como “vê-lo ei mais tarde”) em uma conversa em mesa de bar com amigos. Da mesma forma que não é adequado chegar a uma reunião de negócios e perguntar aos presentes: “E aí, galera, na moral, qual o rolê?”

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O fator ambiente foi mais um esquecido pela participante do programa televisivo. Afinal, ela estava em um reality show e não em uma aula na faculdade. Ela poderia ter dito simplesmente que alguém não aceita a relação, seja lá de quem for, ao invés de usar a frase “deslegitimação em relação à shippada”. Cabe deixar claro, nesse caso, que não é errado utilizar os termos da Internet, como shippar, misturados às palavras do “universo acadêmico”. Estrangeirismos são bem-vindos em nossa língua e, para além do rebuscamento, é necessário, sobretudo, comunicar.

O último fator que merece ser destacado é a intencionalidade, afinal todo ato de fala acontece por um motivo. Cada uma das intenções requer uma forma de falar distinta. Quando estamos falando para um público de alunos, a linguagem é diferente daquela usada num bate-papo entre amigos. Quando conversamos com colegas de trabalho, a linguagem é distinta da que utilizamos para fazer uma declaração de amor. É muito importante prestar atenção aos fatores de adequação linguística para nos fazermos compreender, pois como já dizia Chacrinha: “quem não se comunica, se trumbica”.

Sobre a autora: Thays Carvalho Cesar, professora do curso de Letras, da Área de Linguagem e Sociedade do Centro Universitário Internacional UNINTER

As opiniões expressadas nos artigos não refletem necessariamente a posição institucional do Centro Universitário Internacional Uninter. 

 

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6 Comentários

  1. Mauricéia Ricco

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    1. LUIZ GUSTAVO JANSSON VIEIRA
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    1. LUIZ GUSTAVO JANSSON VIEIRA
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    1. Uninter
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