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Nossas expectativas para a COP-26
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Nossas expectativas para a COP-26

Rodrigo Silva (*) 

 Eventos climáticos extremos são aqueles relacionados a condições climáticas extremas como, por exemplo, inundações, ondas de calor e frios intensos, secas e tempestades. 

Desde o início dos anos 2000, cientistas do mundo todo têm se debruçado em estudos para verificar se, de fato, os eventos extremos observados nas últimas décadas em todo o planeta estão relacionados às mudanças climáticas. 

A resposta é: há muitas evidências (cada vez mais novas e mais fortes) que confirmam que muitos desses eventos estão relacionados às atividades humanas e, consequentemente, às mudanças climáticas. 

Especialmente no Brasil, nos últimos 50 anos pode-se observar aumentos excessivos de chuvas em determinadas épocas, causando cheias e inundações. Porém, em algumas regiões, nota-se o aumento das secas severas no mesmo período. 

Atualmente, a pior seca dos últimos 100 anos no país demonstra a veracidade dessa informação. No entanto, para além dessa estiagem (que já pode ser considerada um evento extremo), recentemente tivemos três outros eventos importantes: duas tempestades de areia e um tornado. Todos no interior do Estado de São Paulo. 

As tempestades de areia proporcionaram imagens dignas de um filme apocalíptico. Esse evento está relacionado com o grande período de seca vivenciado nos últimos meses, o que gerou um ressecamento intenso do solo e que, por sua vez, foi lançado para a atmosfera por ventos fortíssimos no local. 

Já o tornado – com ventos de mais de 80 km/h, raios e granizo – causou severos prejuízos de infraestrutura na cidade de Pirassununga/SP e, felizmente, não fez qualquer vítima fatal, ao contrário das tempestades de poeira. 

Um relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e seus impactos nos Oceanos (IPCC/ONU) apontou que, de fato, as catástrofes relacionadas às tempestades tropicais, ciclones, fortes chuvas e inundações estão aumentando a cada década e essa tendência de aumento está fortemente associado às mudanças climáticas causadas pelos seres humanos. 

Por fim, é importante destacar que eventos climáticos extremos já causaram mais de 500.000 mortes e afetaram mais de 2,8 bilhões de pessoas em todo o planeta, desde os anos 1980. Assim, situações prolongadas e sistemáticas desse tipo já estão causando alterações significativas no desenvolvimento e expansão de áreas costeiras, modificações nos processos de urbanização, alterações nos ciclos de plantio e colheita de alimentos e, não menos importante, na dinâmica de vida dos moradores locais. 

Portanto, esses alertas que a própria natureza nos traz devem servir de base para implementações de políticas nacionais e internacionais urgentes que visem frear ao máximo esses prejuízos causados pelas mudanças climáticas. 

Por isso, estamos apostando todas as nossas fichas na COP-26, que será realizada até o dia 12 de novembro, em Glasgow, no Reino Unido, e reunirá representantes de 197 nações, incluindo o Brasil, para discutir as mudanças climáticas e os compromissos dos países para combate-las. Nossas expectativas são altas em relação às posturas dos nossos líderes mundiais, já que são eles que determinarão o futuro do nosso Planeta e, por conseguinte, o nosso futuro. 

(*) Rodrigo Silva é Biólogo, Doutor em Biofísica Ambiental e Professor de Gestão Ambiental no Centro Universitário Internacional Uninter. 

 

 

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