Subscribe Now

Trending News

A força do empreendedorismo feminino no Brasil e suas desigualdades
Artigos

A força do empreendedorismo feminino no Brasil e suas desigualdades

Grazielle Ueno Maccoppi (*) 

O Brasil é reconhecidamente um país de empreendedores. Ultrapassamos a marca de 10 milhões de microempreendedores em 2021 e, de acordo com o Ministério da Economia (ME)*, neste ano, são mais de 18 milhões de novas empresas ativas no país. Somente no quadrimestre de maio a agosto de 2021 foram 1,4 milhão de novos registros. 

É intrigante pensar no volume de novas empresas sendo registradas dia a dia, num período repleto de desafios. No entanto, é necessário desmistificar o empreendedorismo. Não são empreendedores somente os homens e mulheres executivas do mundo de negócios, nem aqueles que possuem grandes quantias de investimento para lançar uma plataforma revolucionária.  

Na verdade, como descreve a Pesquisa Anual de Serviços (PAS), são os pequenos negócios que continuamente apresentam saldo positivo na geração de empregos com carteira assinada. Para demonstrar esta importância, os números não deixam dúvidas, 71,8% das vagas de emprego com carteira assinada criadas no país no período de um ano – entre julho 2020/2021, são advindas dos pequenos. Um número que chega a ser quase três vezes maior que a geração de empregos das médias e grandes empresas.  

Como é possível perceber, o empreendedorismo é um fator social e um fenômeno econômico no Brasil, de relevância ímpar e caracterizado pela soma de necessidade, atitudes, percepções e influências.  

Não obstante, esse volume de novos negócios no país, conta com a força motriz das mulheres. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)*, atualmente, a população feminina brasileira é de 51,8% e representam 54,5% da força de trabalho. Mesmo sendo maioria, as mulheres enfrentam um alto nível de desigualdade de rendimentos e recebem pouco mais de ¾ do rendimento dos homens, diferença que se demonstra ainda maior nos cargos de chefia.  

Curiosamente, apesar dos ganhos serem inferiores, elas possuem um nível de instrução maior, ou seja, são mais qualificadas, exceto na faixa etária acima de 65 anos, o que denota a ocorrência de uma forte restrição à educação nas décadas anteriores.  

Mesmo observando as conquistas e mudanças na vida das mulheres do século 20, os fatores de desigualdade de gênero permanecem presentes em todos os campos da sociedade e, sem dúvida, a força empreendedora feminina tem se tornado uma resposta significativa a esta batalha. A postura de enfrentamento às desigualdades de gênero por meio do empreendedorismo, exige ação coletiva, responsável e compartilhada entre os diferentes atores sociais. 

Além do empreendedorismo feminino, outro caminho apresentado pelo Fórum Econômico Mundial para dirimir as desigualdades de gênero, é pautado numa ampla pesquisa global sobre a segregação no mercado de trabalho. O estudo demonstra que o conjunto de habilidades entre homens e mulheres são moldadas pela experiência com a diversidade e a inclusão em todas as ocupações.  

Neste sentido, a principal estratégia revelada pelo relatório para eliminar as disparidades, é o aumento urgente no fornecimento e na visibilidade das mulheres empreendedoras e com habilidades técnicas disruptivas. O que implica diretamente em geração de oportunidades diferenciadas de capacitação para a mulher e um esforço ainda maior das mulheres em qualificação e requalificação, para expandir sua gama de habilidades e o seu domínio técnico. 

É fundamental compreender que oportunidades diferenciadas de capacitação técnica, exige em viabilizar estruturas com flexibilidade de horários, reconhecimento de sobrecarga das atividades domésticas e familiares e a adaptação de acesso às informações de forma igualitária. 

Além das instituições e organizações governamentais na oferta de políticas e no incentivo de processos que favoreçam o empoderamento das mulheres, é fundamental contar com a sociedade civil. Todos e todas são responsáveis em criar métodos e adotar ações efetivas para diminuir esta lacuna de desigualdade, partindo de ações cotidianas que favoreçam a potência feminina no cenário empreendedor e organizacional.  

 

*Boletim do Mapa de Empresas Nacional, disponível em  https://www.gov.br/governodigital/pt-br/mapa-de-empresas 
*IBGE 2021 – Estatísticas de gênero, disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/92def175f6f25cc2565155497e59eefc.pdf 

*Grazielle Ueno Maccoppi é Professora e Coordenadora do Curso de Gestão Empreendedora de Serviços – Centro Universitário Internacional Uninter. 

Posts relacionados

Deixe uma resposta

Campos obrigatórios *